Chegou a lembrar-me Capitu enquanto penteava-lhe os longos cabelos vermelhos. Possivelmente, a dissimulação era a mesma. Não maior que a minha, certamente. Os cabelos vermelhos estavam todos esparramados sobre minha saia de listras bicolores, e as mãos, descansadas sobre o busto. Eu lhe contava histórias sobre constelações e deusas mitológicas que, com beleza semelhante a dela, haviam conquistado caçadores e guerreiros.
Ainda era uma menina, decerto. Talvez eu devesse cantar canções de ninar, talvez eu devesse ensiná-la a roubar chamas, talvez eu devesse aprender com ela. Enquanto eu me questionava, ela pousou as mãos sobre minhas pernas, disse que eram bonitas. Estava agora me olhando nos olhos. Eu quase tremia. Nesse momento eu soube que tinha muito mais a aprender que a ensinar.
E aqueles cabelos vermelhos e olhos muito bem delineados ainda me tiravam do sério de uma forma inimaginável. Disse-lhe, embora fosse mentira, que era a única mulher capaz de me tentar. Ela sorriu de forma ingênua, da mesma forma que eu sorriria se ouvisse uma frase dessas de um rapaz muito bem intencionado. Eu quis beijá-la, mas ela recuou. Disse que, talvez, não fosse o correto. Me chamava de asa de graúna, pela cor das minhas madeixas, e foi justamente com essas duas palavras que ela começou a última frase.
"Asa de Graúna sempre voa, e eu sou do tipo de senti saudades." - Disse-me partindo.
Ainda era uma menina, decerto. Talvez eu devesse cantar canções de ninar, talvez eu devesse ensiná-la a roubar chamas, talvez eu devesse aprender com ela. Enquanto eu me questionava, ela pousou as mãos sobre minhas pernas, disse que eram bonitas. Estava agora me olhando nos olhos. Eu quase tremia. Nesse momento eu soube que tinha muito mais a aprender que a ensinar.
E aqueles cabelos vermelhos e olhos muito bem delineados ainda me tiravam do sério de uma forma inimaginável. Disse-lhe, embora fosse mentira, que era a única mulher capaz de me tentar. Ela sorriu de forma ingênua, da mesma forma que eu sorriria se ouvisse uma frase dessas de um rapaz muito bem intencionado. Eu quis beijá-la, mas ela recuou. Disse que, talvez, não fosse o correto. Me chamava de asa de graúna, pela cor das minhas madeixas, e foi justamente com essas duas palavras que ela começou a última frase.
"Asa de Graúna sempre voa, e eu sou do tipo de senti saudades." - Disse-me partindo.
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